"Cuidado, aqui ninguém vai pensar em você." - Leia até o final.

Tenho ouvido, de brasileiros que moram fora, uma frase que se repete:
"cuidado, aqui ninguém vai pensar em você." E o que sempre me interessou nisso não é a existência de pessoas mal-intencionadas afinal elas existem em qualquer lugar. É o momento em que a gente se torna mais vulnerável a elas.
Quase sempre é quando perdemos nossas referências. Pode ser um país novo, sem dúvida. Mas pode ser também um emprego novo, um término, uma cidade diferente, uma fase da vida em que as certezas de antes deixaram de servir.
Nesses momentos, buscamos segurança com mais urgência. E, com frequência, confundimos familiaridade com confiança.
Como neuropsicanalista, aprendi que um dos maiores desafios de qualquer recomeço não é prático. É emocional. Porque a vulnerabilidade muda a forma como percebemos pessoas, riscos e relações. É assim que a gente acaba confiando em quem não conhece, aceitando o que jamais aceitaria em outro momento, ou permanecendo em situações desconfortáveis só por medo de ficar sozinho.
Por isso, antes de organizar só o currículo, as finanças, a próxima etapa vale organizar também a mente. Recomeçar, onde quer que seja, exige mais do que coragem prática. Exige reconstruir o próprio senso de pertencimento.